26.11.06

Lopes

Queria ter uma habilidade maior com as palavras nesse momento.
Queria conseguir expressar o quão importante ela é para mim, sempre será.
Afinal era ela quem passava a noite em claro comigo contando piada quando eu não tinha sono, quem saía da cama já tarde da noite pra fazer bala de puxa pra mim, quem dizia que todos estavam errados e eu certa e que me convencia a mudar de idéia quando necessário.
Ela não teve muitas oportunidades na vida, mas soube aproveitar muito bem cada uma delas. Não estudou, aprendeu com a vida. Era doce, carinhosa, defendia os filhos, e principalmente os netos seja de quem fosse. Uma leoa quando preciso.
Uma matriarca no maior e mais belo sentido da palavra.
Sempre mostrou aos filhos, bisnetos e tataranetos o mundo, mas deixava bem claro a importância da família, de estarmos juntos sempre.
Uma esposa, que enquanto lhe foi permitido, amou e foi amada, cuidou e foi cuidada, ajudou e foi ajudada. Isso por quase 70 anos!
No meu caso ainda foi uma madrinha que honrou o compromisso formado com Deus como ninguém. Afinal era na companhia dela que eu ia à Missa aos Domingos, era com ela com quem rezava o Terço todos os dias antes de dormir.
Sei que poucas pessoas têm a sorte de conviver com tanta intensidade com sua avó, sei que fui privilegiada. Mais ainda por tê-la como minha vó e madrinha. Por ela ter tido papel tão importante na minha educação, na minha formação como ser humano, na minha vida.
Os últimos momentos dela aqui não condiziam mais com aquela mulher de 1,40m que sempre estava a frente de tudo, de todos, com pulso firme, se fazendo ouvir e respeitar. Mesmo nas condições em que ela se encontrava, quando conseguia, demonstrava preocupação com a família.
Mais do que nunca "mostrou que é sim possível vencer barreiras, sejam elas quais forem". Não esmoreceu nem no último minuto.
Agora sei que ela está bem, preciso acreditar nisso. "Foi melhor assim"
Sinto muito a sua falta, a saudade só está aumentando. Mas o seu legado será muito bem guardado.

26.10.06

Unindo o útil ao agradável...

Diz o banqueiro: “Cuidado com o Fluxo de Caixa”

Certa vez, numa noite muito escura, enquanto refletia fraco e cansado
Sobre um grande e curioso volume de folclore contábil,
Buscando saídas (inescrupulosas) para aproveitar alguma nova brecha fiscal,
De repente escutei alguém bater a minha porta, a nada mais.

De repente senti um calafrio, e senti o caixa tilintar,
Enquanto entrava um aterrorizante banqueiro a quem jamais vira,
Seu rosto era verde como o dinheiro e em seus olhos podia-se ver
Cifrões que brilhavam enquanto ele anotava.
“Fluxo de caixa” disse o banqueiro, e nada mais.

Eu sempre pensava que era bom ter um lucro positivo,
Mas o banqueiro disse com voz ressoante: “Não.
Suas contas a receber são elevadas, crescendo cada vez mais em direção ao céu;
Suas perdas crescem. O que importa é o fluxo de caixa.”
Ele repetiu: “Cuidado com o fluxo de caixa.”

Então tentei contar a história do maravilhoso estoque,
O qual, embora grande, está repleto dos melhores produtos.
Mas, o banqueiro viu seu crescimento, e com uma voz poderosa
Sacudiu seus braços e gritou: “Pare! Chega! Pague os juros e não me embrome.”

A seguir, olhei para o itens não monetários que podiam somar ad infinutum
Para compensar o caixa que não parava de sair,
Mas, para manter meu demonstrativo no azul, tinha contido a depreciação,
E meu banqueiro disse que tinha agido mal,
Tremeu e seus dentes começaram a ranger:

Quando lhe pedi um empréstimo, ele respondeu, com um gemido,
Que a taxa de juros seria a prime mais oito
E para assegurar minha integridade, ele insistira em garantias –
Todos os meus ativos até meu último fio de cabelo
Apenas isso, uma taxa-padrão.

Embora meu resultado esteja no azul, estou completamente prostado,
Meu caixa indo embora e meus clientes pagando lentamente;
O crescimento de minhas contas a receber é quase inacreditável:
O resultado é certo – problemas insolúveis!
E continuo a ouvir o banqueiro repetir baixinho:
“Cuidado com o fluxo de caixa”

Herbert S. Bailey Jr.
Publisher Weekly, 13/jan/1975
Paródia do poema O Corvo de Edgar Allan Poe

> Eu acho que to estudando demais Contabilidade e lendo Allan Poe demais nas horas vagas...

10.10.06

My Sacrifice

Acho que o maior sacrifício é aceitar que o Creed não existe mais
:(

"When you are with me
I'm free
I'm careless
I believe
Above all the others we'll fly
this brings tears to my eyes
My sacrifice"


14.9.06

Momento nada a ver

Para descontrair, rir e matar saudade:


Medo: defesa ou fraqueza?


O medo é um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer algo, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Na biologia diz-se que ele é necessário, pois sem ele o ser humano faria bobagens cruciais, que lhe custariam até mesmo à vida.

No dia-a-dia temos medos variados. Medo de animais, de altura, de água, de injeção, de não correspondermos às expectativas dos outros, de errarmos, de magoarmos pessoas de quem gostamos....
Enfim medos não nos faltam.

O que nos falta é coragem!
Coragem às vezes de viver, às vezes de reconhecer erros, às vezes de lutar pelo que queremos. Por vezes coragem de enfrentar nossos medos.

Quem já leu
Duna, de Frank Herbert, deve conhecer a Litania contra o medo da Corporação Bene Gesserit, que diz mais ou menos o seguinte:

"Eu não temerei o medo.
O medo é o assassino da mente.
Medo é a morte pequena que traz a obliteração.
Enfrentarei meu medo.
Não permitirei que ele passe sobre mim ou através de mim.
E, quando ele se for, voltarei minha visão interna para olhar sua trilha.
Por onde o medo passou nada restou.
Apenas eu permaneço."

Na saga o medo é tratado como algo extremamente ruim, uma fraqueza a ser vencida. Mas será que é mesmo? E até que ponto o medo é um mecanismo de defesa?

Não sei se faz sentido, mas o que mais temo é o meu próprio medo.
Talvez por isso seja tachada de irresponsável...

Ouvindo Evanescence -Whisper (ao vivo)

11.9.06

Sonoridade




Sempre tive certa dificuldade de lidar com o silêncio. Talvez por isso goste tanto de música. Até mesmo para estudar tenho uma facilidade maior em absorver o conteúdo relacionando-o a um som. Dizem que devo ter algum tipo de memória auditiva...
No trabalho a minha melhor maneira de render é colocar um fone de ouvido, boa música no player e vamos que vamos...

Mas ultimamente tenho descoberto que os sons da natureza são tão encantadores, ou até mais que uma simples música.

Por três vezes tive a oportunidade de ouvir pássaros esse fim de semana.
A primeira vez foi um bem-te-vi na janela do meu banheiro.
A segunda foram pardais no casamento de um amigo, no meio da Igreja.
A terceira, e mais marcante, foi numa tarde de domingo, debaixo de uma árvore, a beira do lago, ao lado de uma pessoa que a cada dia me prova que as melhores coisas da vida são as mais simples. Uma pessoa que tem me mostrado o quanto é bom estar com alguém. Alguém que levou o silêncio embora e tem me feito ouvir a vida de uma forma toda especial.
Ao som de Creed - My Sacrifice

3.9.06

Aceite-se!

Semana passada aconteceu na cidade o Capital Fashion Week. Não compareci ao evento. Tinha coisa mais interessante para fazer!


Vi Brasília repleta de referências à moda, a corpos esguios e magros.
Na verdade, acho que magro é eufemismo.


E por que magro? Por que alguém em algum momento disse que o magro era padrão. E se fosse o contrário? Bom, eu não sei, mas uma coisa eu digo: provavelmente eu estaria no circuito internacional da moda rsrs


A mídia (tá eu admito, não gosto dela) propõe um culto ao corpo que cada vez mais meninas se enveredam pelo caminho da bulimia e/ou anorexia. Casos a serem relatados não faltam, entre famosas e anônimas.

Mas esse culto desenfreado causa outro tipo de desequilíbrio: a não aceitação de si mesmo. Você chegar ao cúmulo de não gostar de olhar num espelho por causa daquele pneuzinho ou daquela estria nova.


Essa situação é mais grave, a meu ver, entre as mulheres. É a idolatria da bunda no país do carnaval.
Você é cobrada diariamente para modelar seu corpo de acordo com o padrão que disseram que certo. Por quê??
Por que não posso ter mais de 90cm de quadril? Ou menos de 1,70m? Ou pesar mais que 55kg?

Pergunto às escravas da ditadura da moda: Vale a pena?

Tenha mais que 90 cm de quadril, menos que 1,70 de altura, pese mais que 55kg se assim desejar e seja feliz!!!

30.8.06

Sem lei - Sem regras - Sem ordem

Sem os heróis do seriado de TV da década de 80.

Adoro filme com muita velocidade, pancadaria e pouca reflexão. Miami Vice tinha tudo pra me agradar. Mas com 15 minutos de projeção eu já pensava "não era Miami Vice?". O tom sombrio que deram ao longa não lembrou nem de longe o seriado que eu tanto gostava na minha infância.

É um bom filme, mas não pode ser encarado como Miami vice- O Filme.

O Sonny está sofrível na pele de Colin Farrell que decepciona. Jamie Foxx arrebenta como Rico, já gostei dele em Collateral. Luis Tosar rouba a cena com seu intocável Arcángel de Jesus Montoya, ninguém duvida da sua periculosidade. A mocinha da vez, Gong Li, não é só beleza, mostra a que veio.

A fotografia está belíssima, o tom azulado das cenas noturnas causa um arrepio caustrofóbico. As cenas de pôr-do-sol a bordo de uma lancha em alto mar fazem valer o ingresso.

A trilha sonora chama mais atenção do que o próprio filme. Com direito a Moby, Nina Simone, Blue Foundation, Linkin Park e muito, mas muito Audioslave! Ao som de Shadow of the Sun o filme ganha novo fôlego.

Um dos maiores pecados é o esquecimento de algumas personagens no final do longa. Ficamos com aquele sentimento de "o que houve com ele?" "perdi alguma coisa?"

Se você é fã do velho e bom seriado e quer ir ao cinema matar a saudade, esqueça!

Agora se a proposta é apenas ver um filme sem maiores pretensões, bom filme!

27.8.06

Música com algo mais

Gosto de metal e isso não é novidade pra quem me conhece, não sou alucinada, mas curto bastante. Algo que sempre me incomodou nesse estilo de música foi as letras, demônios, sexo, palavrões, daí pra pior...

Mas de vez em quando surge algo diferente e chama atenção.

O que se faz numa tarde ociosa de meio de semana? Zapear nos canais de TV, certo? O problema é que quando você não tem a disposição TV por assinatura isso torna-se quase um suicídio cerebral. Na tentativa de evitar o pior paro num canal de clipes. Depois de alguns minutos surge uma banda com um estilo diferente. Cabeludos, barbichas, instrumentos estranhos, biotipo bastante exótico...

Introdução mais melódica, mas com uma batida forte de guitarra. Começou bem. Timbre pouco comum guitarrista me faz parar de vez para assistir o clipe com atenção completa.
Descubro que a banda chama-se
System of a Down.

Internet pra que te quero, lá vamos nós. Paixão à primeira vista!

O grupo é formado pelos libaneses Serj Tankian (vocais e teclados) e John Dolmayan (bateria), o americano Daron Malakian (guitarra, vocais) e o armênio Shavo Odadjian (baixo). como esperado as críticas políticas e sociais são contundentes. Afinal música não é só entretenimento!!!

O System of a Down usa uma grande variedade de instrumentos, incluindo guitarra barítona, mandolins elétricos, cítaras, violões de 12 cordas e vários outros instrumentos asiáticos. Suas principais influências são as bandas mais antigas de rock alternativo, mas eles também foram influenciados pelo heavy metal, punk rock, jazz, fusion, música folk da Armênia, rock, rock clássico, blues e industrial. Estão no 5° CD, Hypnotize, que já estreou no topo das paradas.

Pra quem gosta de metal, eu recomendo.


Hypnotize

"Why don't you ask the kids at Tiananmen Square*
Was fashion the reason why they were there?
They disguise it, hypnotize it
Television made you buy it
I'm just sitting in my car and waiting for my...
She's scared that I will take her away from there
Her dreams and her country left with no one there
Mesmerize the simple minded
Propaganda leaves us blinded
I'm just sitting in my car and waiting for my girl"
*Tiananmen Square é a Praça da Paz Celestial.

22.8.06

Você é feliz?

"Não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho"
Mahatma Gandhi (1869 - 1948), líder pacifista indiano
Ela tem seus 7 ou 8 anos, suas roupas são bem surradas, a mãe não está a vista. Ele é um cãozinho de raça não identificável, talvez Laza Apso, mas bem cuidado, com coleira enfeitada, a dona tem uma bola de plástico na mão.
Ela diz: "Ele deve ser feliz". Ao ser questionado o porquê da frase, responde que ele tem comida, brinquedo, carinho, tem quem cuide dele e está limpinho.
É questionada se ela é feliz. A resposta vem sem pestanejar: Sou!! Muito!! Porque meu irmão voltou a morar com gente, minha mãe está trabalhando e eu vou até voltar pra escola.
Quando mãe volta, descobre-se que ela trabalha como diarista, ganha menos que um salário mínimo, é viúva, mãe de 2 filhos, a protagonista e o irmão, que voltara pra casa, de 3 anos. Eles estão muito felizes, agora o caçula não precisa mais morar com uma tia, a mãe agora tem uma renda de R$200,00 mensais e decidiu que a garotinha vai estudar!!
O que mais chama atenção nessa família é o carinho que demonstram uns pelos outros.
O cãozinho saiu correndo atrás de um pombo.
Cada um percorre o seu próprio caminho. Não existe caminhos melhores que outros, existe o seu caminho.
Quando me contaram esse encontro, fui às lágrimas. Num primeiro momento questionamos como pode ela se achar feliz???????????
Mas ela não se acha feliz, ela é feliz! Da maneira mais simples e pura.

18.8.06

A Nova Seleção

Minha paixão pelo futebol é extremamente sofrida.
Antes que alfinetem pelo fato do meu "Timeco" estar caindo pelas tabelas, literalmente, já digo logo: a paixão é pelo futebol, torcer por um time (ou quase isso) é conseqüência. E esse não é objetivo hoje, não tenho tendências masoquistas tão exacerbadas assim.
A Seleção decepcionou na Copa, fato! O modelo tático proposto não condizia com os jogadores nem com o hexa, mas isso já não interessam mais. Bola pra frente!!!
Vi apenas o segundo tempo do jogo Brasil 1 X 1 Noruega.
"Noruega? Jogam futebol lá?" Jogam meu amigo, ah se jogam!! Não foram à Copa do Mundo, mas nunca perderam pro Brasil - aquele do penta, dos jogadores milhonários, que não jogou a final de 2006, que levaram olé da França e até lençol do Zidanne.
Gostei do jogo. Por um único fato: a entrevista no final que o Dunga deu ao Tino Marcos. Não lembro nem o que comi no almoço, por favor não peçam pra escrever exatamente oq eu ele disse, mas basicamente foi: Pra esse jogo EU convoquei, a responsabilidade é MINHA. Pros próximos eles vão se convocar. Terão que provar que merecem estar aqui. Prova disso é que ele já fez modificações na última convocação.
Dizer que sempre gostei do Dunga é mentira. Sempre reclamava quando ele jogava no Corinthians, isso em 1985 (época das minhas primeiras lembranças relacionadas a futebol, tinha 5 anos de idade). Depois lembro dele no vexame na Copa de 1990, quando o Lazaroni teimou em dizer que a seleção se daria bem com um estapafúrdio 5-3-2. Destruiu Dunga de vez pra mim. Perder numa copa já é o fim, perder pra Argentina é o fim do fim.
Mas veio 94. O sonho novamente vivo. Agora vai! E foi! Ali vi um capitão Dunga que espero rever como técnico. Guarra, sangue, VESTIR a camisa da Seleção, orgulho de ser brasileiro.
É por esse espírito que anceio.
Podemos até perder, mas que seja com dignidade!
Podemos até errar, mas que seja com a intenção de acertar! ;)

16.8.06

O problema é comigo?

Até que ponto somos apenas influenciados pela mídia? Será que na verdade não somos desonestamente feitos de fantoche pelas mãos de poucos?

Muito mais cômodo justificar minha falha, minha negligência, minha pura omissão como cidadã, dizendo que é culpa do sistema. Não somos educados para pensar, para refletir, para reagir. O que posso fazer sozinha? Não adiantaria absolutamente nada! Oras!

Essa passividade me impressiona.

Reagimos enlouquecedoramente a morte de 3 mil pessoas num ataque ao WTC num 11 de setembro, mas encaramos com a maior naturalidade 40 milhões morrerem de fome por ano no mundo.
Acompanhamos minuto a minuto os ataques de Israel contra o Líbano, mas mal damos conta do que acontece em São Paulo com o PCC no comando.
O julgamento de uma Suzane Von Richthofen se torna um verdadeiro Big Brother, por quê? Por que ela matou os pais? Ou por que ela é herdeira de uma família de classe alta?

Reagimos a fatos que temos informação suficiente para assimilar e julgar, correto? Aí mora o perigo. A que temos acesso, se não ao que eles decidem que teremos?

Ahh mas nada disso me interessa, nada disso me afeta diretamente, alguém diria. Ah não?

Quem sabe me dizer quais os acusados de estar envolvidos em mensalões, sanguessugas e afins? (Sem consultar listas em Internet heim? O grande povo que decide a eleição não tem acesso a isso ;))

Como mudar nosso País assim? Os formadores de opinião ficam omissos, as grandes massas vendadas. Enquanto isso, nossas crianças não têm escola, não têm comida a mesa, não tem um colo de mãe, nossos pais não têm emprego.
Alguém diria: Mas temos a oportunidade de mudar. Como? Votando!
Mas para isso temos que criar uma consciência política. Desculpem-me, mas utopia nunca levou ninguém a lugar algum.
O primeiro debate com os presidenciáveis já aconteceu. Alguém soube? Alguém assistiu?
Foi segunda, dia 14, na Band. Sem a presença do nosso Presidente-candidato, a fim de preservar a figura do Presidente, segundo disseram.

Hoje assisti ao filme Zuzu Angel (não recomendo, mal escrito, mal dirigido), que relata (ou tenta) a luta de uma mãe para sepultar o corpo do filho assassinado pela ditadura brasileira. A estória passa numa época em que o povo ia às ruas tentar fazer-se ouvir.
Tudo bem, tudo bem, não adiantou absolutamente nada. Mas a idéia, romantizada admito, que tenho é de não aceitação, repulsa, reação.
Hoje a minha sensação é de passividade, estupor, indiferença.

Observamos a história do Brasil acontecer sem tomar parte nela. Não faço o gênero "Teoria da Conspiração". Acredito muito mais que "colhemos o que plantamos". Por isso quero olhar com muito mais carinho para as minhas sementes.

Esses são devaneios que passam pela minha mente às 04:00h da manhã após uma noite completamente insone (de novo).

14.8.06

O Filho da Noiva

Adoro cinema, isso já é sabido.
A novidade está em eu ver, rever e recomendar um filme romântico (!) Gostar de filmes de aventura, ação, fantasia, FC, com direito a muitas lutas, velocidade e tudo-o-mais pra mim é fácil. Mas essa minha predileção acaba por me impedir de conhecer, na maioria das vezes, obras como
O Filho da Noiva. Felizmente a minha curiosidade me impeliu a arriscar com esse filme, já que ele havia sido citado num convite de casamento.

Casamento aqui está uma palavrinha que sempre achei que se encerrava em si mesmo. Afinal vejo exemplos todos os dias a minha volta casais que festejam uma união, como toda a vida se resumisse aquele fato e algum tempo depois... Naquele momento acham que fazem a melhor escolha, mas com a primeira dificuldade esquecem o "Fulano(a), você aceita fulana(o) como sua(eu) legítima(o) esposa(o) na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?".
Cheguei a ver outro dia no
Programa do Jô, uma organizadora de casamentos que relatou que a cerimônia sofreu algumas alterações para se adaptar aos dias atuais. Assim, pasme, o celebrante não diz mais a famosa frase citada. Imagino que deva dizer algo como: "Fulano(a), você aceita fulana(o) como sua(eu) legítima(o) esposa(o) até quando der?"
Em um mundo onde se morre mais de fome do que em guerras, é de se esperar que quando valores se destorcem em vez de se reagir a isso, mudam-se costumes e regras comumente aceitas. Faz sentido não?

Mas há esperança!

Meus avós foram casados durante quase 70 anos! Eu disse setenta. E digo com toda a tranqüilidade que chegariam aos 80, 90, 100 anos de casamento se meu avô ainda estivesse conosco. Eles não foram felizes 100% do tempo, lógico que não. Enfrentaram dificuldades como todo mundo. A diferença é que enfrentaram juntos!

Em o Filho da Noiva (foto) direção e roteiro de Juan José Campanella, Rafael Belvedere (Ricardo Darín), um workholic quarentão, está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Boa parte de seu tempo é gasto no gerenciamento do restaurante fundado por seu pai Nino (Héctor Alterio), no qual até tem um relativo sucesso, mas sem nunca conseguir escapar da sombra de seu pai. Rafael raramente visita sua mãe, Norma (Norma Aleandro), que está perdendo a memória, pois ela sempre implica com suas acompanhantes. Sua ex-esposa o acusa de não dar a devida atenção à filha e ainda há Naty (Natalia Verbeke), atual namorada de Rafael, que sempre lhe exige atenção e comprometimento. Em meio a todas estas responsabilidades Rafael sofre um ataque cardíaco, que faz com que se encontre novamente com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos.

Para mim a grande magia do filme está no amor que Nino tem por Norma. Completamente desprendido, mais do que confirmado. A cena em que ele descreve, ao filho, o início do restaurante é emocionante. "A especialidade era ela"
Mais do que isso estrago a surpresa de quem não viu.
Moral da história: vejam o filme.

Quanto ao casamento? Prefiro os dos filmes.

Orelha Extensível??

Nos livros/filmes de Harry Potter, Orelha Extensível é um objeto mágico que é utilizado para ouvir o que os outros dizem sem ser percebido.
A idéia aqui é falar sobre tudo (ou quase tudo, afinal a vida alheia não nos interessa, não é mesmo?) da maneira que parecer mais adequada.
Essa que vos fala já teve inúmeras inciativas com blogs, fotologs, etc mas que nunca deram certo. Ao menos não da maneira que sempre quis.

Eis aqui mais uma tentativa.

Alorromora!!