14.8.06

O Filho da Noiva

Adoro cinema, isso já é sabido.
A novidade está em eu ver, rever e recomendar um filme romântico (!) Gostar de filmes de aventura, ação, fantasia, FC, com direito a muitas lutas, velocidade e tudo-o-mais pra mim é fácil. Mas essa minha predileção acaba por me impedir de conhecer, na maioria das vezes, obras como
O Filho da Noiva. Felizmente a minha curiosidade me impeliu a arriscar com esse filme, já que ele havia sido citado num convite de casamento.

Casamento aqui está uma palavrinha que sempre achei que se encerrava em si mesmo. Afinal vejo exemplos todos os dias a minha volta casais que festejam uma união, como toda a vida se resumisse aquele fato e algum tempo depois... Naquele momento acham que fazem a melhor escolha, mas com a primeira dificuldade esquecem o "Fulano(a), você aceita fulana(o) como sua(eu) legítima(o) esposa(o) na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?".
Cheguei a ver outro dia no
Programa do Jô, uma organizadora de casamentos que relatou que a cerimônia sofreu algumas alterações para se adaptar aos dias atuais. Assim, pasme, o celebrante não diz mais a famosa frase citada. Imagino que deva dizer algo como: "Fulano(a), você aceita fulana(o) como sua(eu) legítima(o) esposa(o) até quando der?"
Em um mundo onde se morre mais de fome do que em guerras, é de se esperar que quando valores se destorcem em vez de se reagir a isso, mudam-se costumes e regras comumente aceitas. Faz sentido não?

Mas há esperança!

Meus avós foram casados durante quase 70 anos! Eu disse setenta. E digo com toda a tranqüilidade que chegariam aos 80, 90, 100 anos de casamento se meu avô ainda estivesse conosco. Eles não foram felizes 100% do tempo, lógico que não. Enfrentaram dificuldades como todo mundo. A diferença é que enfrentaram juntos!

Em o Filho da Noiva (foto) direção e roteiro de Juan José Campanella, Rafael Belvedere (Ricardo Darín), um workholic quarentão, está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Boa parte de seu tempo é gasto no gerenciamento do restaurante fundado por seu pai Nino (Héctor Alterio), no qual até tem um relativo sucesso, mas sem nunca conseguir escapar da sombra de seu pai. Rafael raramente visita sua mãe, Norma (Norma Aleandro), que está perdendo a memória, pois ela sempre implica com suas acompanhantes. Sua ex-esposa o acusa de não dar a devida atenção à filha e ainda há Naty (Natalia Verbeke), atual namorada de Rafael, que sempre lhe exige atenção e comprometimento. Em meio a todas estas responsabilidades Rafael sofre um ataque cardíaco, que faz com que se encontre novamente com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos.

Para mim a grande magia do filme está no amor que Nino tem por Norma. Completamente desprendido, mais do que confirmado. A cena em que ele descreve, ao filho, o início do restaurante é emocionante. "A especialidade era ela"
Mais do que isso estrago a surpresa de quem não viu.
Moral da história: vejam o filme.

Quanto ao casamento? Prefiro os dos filmes.

2 comentários:

Fabiano Araújo disse...

Discordo ... vamos começar meu comentário com algo mais impactante... acho que os casamentos de verdade são bem melhores que os dos filmes.

E olhe que, como vc bem sabe, eu tenho motivos para crer o contrário.

Apesar de ter sentido na pele que, muitas vezes, as perspectivas que temos para a relação, infelizmente, acaba sendo só nossa... acho que é possível sim ter um relacionamento duradouro como os teus avós...

Sei que está cada dia mais complicado esse tipo de coisa... afinal... o mundo de hoje é mais livre, é fácil mudar de idéia, mudar de planos, mudar de vida.... e simples desistir, jogar pro alto o que, até ontem, era realidade ou verdade absoluta...

Não que eu seja antigo... mas, sinceramente, acho que evoluímos muito em nossa liberdade de ser, nossa liberdade de pensar, agir e fazer... mas, raramente, essa evolução foi acompanhada de um crescimento do conceito de responsabilidade.

Percebo, de forma cada vez mais evidente, uma irresponsabilidade cada vez mais crônica nas pessoas... pouco importa o sentimento alheio, pouco importa os planos do outro... nossa se eu for continuar vou ter muito o que escrever...

Mas, de qualquer forma, mesmo com esse "dignóstico mórbido"... acho que ainda existem pessoas que se preocupam, de verdade, com os sentimentos do próximo e é com esse tipo de pessoa que se constróem relações duradouras.

Walter Neto disse...

Nem sempre mudanças são um sinal de decadencia, elas trazem um desconforto momentâneo, mas tendem a se tornar tradição no longo prazo. Não sei até que ponto a exposição da fragilidade do casamento é algo ruim, talvez seja só um estado temporário em direção a uma situação melhor.