16.8.06

O problema é comigo?

Até que ponto somos apenas influenciados pela mídia? Será que na verdade não somos desonestamente feitos de fantoche pelas mãos de poucos?

Muito mais cômodo justificar minha falha, minha negligência, minha pura omissão como cidadã, dizendo que é culpa do sistema. Não somos educados para pensar, para refletir, para reagir. O que posso fazer sozinha? Não adiantaria absolutamente nada! Oras!

Essa passividade me impressiona.

Reagimos enlouquecedoramente a morte de 3 mil pessoas num ataque ao WTC num 11 de setembro, mas encaramos com a maior naturalidade 40 milhões morrerem de fome por ano no mundo.
Acompanhamos minuto a minuto os ataques de Israel contra o Líbano, mas mal damos conta do que acontece em São Paulo com o PCC no comando.
O julgamento de uma Suzane Von Richthofen se torna um verdadeiro Big Brother, por quê? Por que ela matou os pais? Ou por que ela é herdeira de uma família de classe alta?

Reagimos a fatos que temos informação suficiente para assimilar e julgar, correto? Aí mora o perigo. A que temos acesso, se não ao que eles decidem que teremos?

Ahh mas nada disso me interessa, nada disso me afeta diretamente, alguém diria. Ah não?

Quem sabe me dizer quais os acusados de estar envolvidos em mensalões, sanguessugas e afins? (Sem consultar listas em Internet heim? O grande povo que decide a eleição não tem acesso a isso ;))

Como mudar nosso País assim? Os formadores de opinião ficam omissos, as grandes massas vendadas. Enquanto isso, nossas crianças não têm escola, não têm comida a mesa, não tem um colo de mãe, nossos pais não têm emprego.
Alguém diria: Mas temos a oportunidade de mudar. Como? Votando!
Mas para isso temos que criar uma consciência política. Desculpem-me, mas utopia nunca levou ninguém a lugar algum.
O primeiro debate com os presidenciáveis já aconteceu. Alguém soube? Alguém assistiu?
Foi segunda, dia 14, na Band. Sem a presença do nosso Presidente-candidato, a fim de preservar a figura do Presidente, segundo disseram.

Hoje assisti ao filme Zuzu Angel (não recomendo, mal escrito, mal dirigido), que relata (ou tenta) a luta de uma mãe para sepultar o corpo do filho assassinado pela ditadura brasileira. A estória passa numa época em que o povo ia às ruas tentar fazer-se ouvir.
Tudo bem, tudo bem, não adiantou absolutamente nada. Mas a idéia, romantizada admito, que tenho é de não aceitação, repulsa, reação.
Hoje a minha sensação é de passividade, estupor, indiferença.

Observamos a história do Brasil acontecer sem tomar parte nela. Não faço o gênero "Teoria da Conspiração". Acredito muito mais que "colhemos o que plantamos". Por isso quero olhar com muito mais carinho para as minhas sementes.

Esses são devaneios que passam pela minha mente às 04:00h da manhã após uma noite completamente insone (de novo).

3 comentários:

Fabiano Araújo disse...

vixe... esse seu blog vai dar trabalho... além de apresentar essa "ruiva revolucionária"... ainda "vai dar namoro" - bye Bruno e Marrone - hehehehehehehe

Agora... vamos falar sério...

Como sempre digo, sou, quanto minhas convicções políticas, bem centro-direita... tá já sei que vão perguntar... "que porra é essa?".. deixe-me esclarecer sem tentar conceituar.. vamos discutir os pontos que vc abordou...

Concordo com vc, colhemos o que plantamos... o cenário (ou chiqueiro) político atual deixa isso muito bem claro... votamos mal pq somos mal informados...

somos mal informados, pq temos uma mídia que orienta o povo a se comportar igualzinho ao que passa na novelas das oito (nem me pergunte o nome.. não vejo novela!)

putz.. ta parecendo até que sou do PCO. heheheh

mas, vamos olhar outros pontos do texto... vc disse "Reagimos enlouquecedoramente a morte de 3 mil pessoas num ataque ao WTC", mesmo? vc acha isso de verdade?

o Bush agiu "enlouquecedoramente", se bem que acho que ele é louco mesmo... para nós aqui... a vida não mudou nada, nadinha mesmo....

O caso da Suzane Von Richthofen... tinha que virar Big Brother mesmo, afinal... filho de pobre (segundo dizem) não tem oportunidade na vida, a família é mal estruturada, o pai é alcoolatra, a mãe trabalha quando pode (se é que trabalha)... se um garoto mata os pais a sociedade diz "foi por falta de amor, vivendo do jeito que vivia só podia dar nisso mesmo"... agora, uma filhinha de papai, rica, bem de vida, que tinha video-game, viajava, lia, estudava... tinha tudo para ser alguém na vida... quando essa filhinha vira ninguém todo mundo quer saber... o que vai acontecer? (acaba virando outra novela das oito. Não é assim em todas as outras?)

Quanto ao Lula, bem ele vez muito bem em não aparecer no debate... os acessores dele sabem que é BURRO.. se ele fosse iria perder muitos fotos... ele não tem condições de discutir, frente a frente, com os demais canditados... imagine ele discutindo com a Heloisa Helena (apesar de não gostar dela, sei que ela não deixaria passar em branco tudo que está acontecendo no país)... poderia ser cômico mas, infelizmente, é trágico... afinal ele, o BURRO, é o presidente do Brasil

estamos em democracia jovem, estamos ainda aprendendo a votar e, mesmo achando meio insano, acho que as coisas tendem a melhorar...

As CPIs, os escandalos, os sangue-sugas, as máfias e tudo que vimos nos últimos tempos... mostram para as pessoas (não para todas, lógico) que é preciso ter mais critério na hora de votar, na hora de escolher quem vai decidir como gastar o dinheiro público (que, na verdade é só isso que eles fazem)

Não espero uma revolução popular, como aquela sonhada pelos militantes políticos durante a ditatura (aquilo era uma ilusão utópica socialista)... acredito muito mais em algo mais lento, mais passo a passo, mais gradual onde a conciência político-partidária evoluirá em cada cidadão..

lendo o seu texto.. vi essa evolução...

nossa... deixe-me parar aqui... já escrevi quase tanto quanto o teu post... assim num pode, assim num dá!!! jhehehehehe

bjos!!

P.s.: tá muito legal o blog!!!

Anônimo disse...

Nossa amiga vc tava bem em? Oh revolta!!!!! Mas me amarrei no texto, ficou show e concordo com o que falou... Temos que, de alguma forma, mudar esse quadro lamentável que vivemos. Mas nem eu, nem vc individualmente, seremos capazes de tal proeza... Porém, cabe a nós fazer nossa parte e torçer para que os demais façam a deles... Talvez utópico seu pensamento, mas ao meu ver, muito coerente...

beijos

Walter Neto disse...

Os formadores de opinião não são omissos, seus ouvintes/leitores/expectadores é que ou não entendem ou não os procuram porque tem coisas mais importantes pra fazer como por exemplo derreter o cerebro na televisão.
A juventude da decada de 70 também não é lá essas coisas, queriam mudar o mundo mas só se fosse para o jeito q eles achavan certo. Alem do mais eram quase tão cabeça ocas quanto os jovens de hoje. A unica diferença é que hoje não é moda ir pra rua gritar.